Votos de quem nada deve

“Isto é para quando você vier.”

Trecho de início do livro Nove Noites, de Bernando Carvalho.

Espero que tenha aproveitado todas as comodidades e facilidades que a vida paisana poderia te oferecer, porque, talvez, tenha tudo acabado. Espero que não tenha ficado no computador o dia inteiro, jogando Call of Duty, sentindo-se O Militar. Espero que a vida não tenha passado enquanto você curtia fotos de 9 gag ou qualquer outra porcaria. Espero que tenha aproveitado seu chuveiro elétrico, abrido mil vezes a geladeira e tenha tratado sua cama com o respeito que ela merece. Mas se você não fez tudo isso, tudo bem. Eu realmente apenas espero que você tenha abraçado seus pais, todos os dias até a apresentação em Barbacena, e dito o quanto você os ama. Que tenha dedicado bastante tempo a ver comédias no Netflix com eles. Espero que tenha brigado com seus irmãos o suficiente para sentir saudades, e espero que o seu cachorro – Billy, Spike, Lassie – tenha lhe dado umas boas lambidas. Mas tudo bem. Você também não fez nada disso.

Espero que você tenha se planejado. Que tenha comprado as passagens para vir lá de Santarém com uma antecedência boa, e que o hotel Carandá tenha sido reservado por um bom preço, assim que você soube de sua aprovação no TACF. Espero que você tenha descansado bem, dormido uma boa noite de sono sem ser interrompido pela MC Beyoncé, dizendo para você não olhar para o lado, pois quem estava passando era o bonde (ou qualquer outro funk que estiver em alta quando você chegar). Porque agora, João; agora não tem volta.

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Vinte e nove dias, senhor!

Hoje foi o Compromisso à Bandeira Nacional do Esquadrão Odin. Sim, a turma de 2014. Fizeram o mesmo que eu, nessa época do ano. Só que dois anos depois.

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“Incorporando-me à Aeronáutica Brasileira, prometo cumprir rigorosamente as ordens das autoridades à que estiver subordinado, respeitar os superiores hierárquicos, tratar com afeição os irmãos de armas e com bondade os subordinados, e dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, cuja honra, integridade e instituições defenderei com o sacrifício da própria vida.” Odin jurou. Perante todos. Comandantes, superiores, mães de Odin. Perante o estandarte maior do Brasil.

Moscovici, quantos dias? VINTE E NOVE DIAS!

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Por quem?

De Gabriel Cavalcante

Por que, não. Por quem.

Estabilidade. Carreira. Futuro. Motivos e mais motivos para que cada um de nós seja capaz de continuar levantando dia após dia, vestidos de sonhos e saudade para seguirmos no caminho que nossas decisões trilharam. Um motivo diferente para cada qual. A mesma pergunta (errada) sendo repetida. No apagar das luzes, o “por que” já não é tão importante. Por quem, sim.

Nota do Al. Barros: ownt

Nota do Al. Barros: ownt

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Ao estagiário da Nascente

por Gabriel Schincariol*

Hoje se inicia a adaptação da nova turma de alunos da EPCAR, e com esse início um sentimento não tão novo toma conta de mim. Eu sinto, e perdoem a demagogia, a mesma sensação do dia 04/02/2012. A mesma apreensão, o mesmo medo. A diferença é que agora esses sentimentos são apenas uma nostalgia, e eu me sinto confortável em transformá-los num pequeno texto que a alguém possa interessar.

Os garotos que hoje adentram o portão da guarda para saírem, em 3 semanas, homens, são o meu reflexo. O reflexo de cada um dos meus companheiros de turma e de farda. De cada um que, durante os mais de 60 anos de EPCAR, entraram com suas calças jeans e camisas brancas e saíram utilizando uma farda azul que, de forma poética, não se limita apenas a uma vestimenta e passa a fazer parte da nossa própria essência. E a partir daqui gostaria de expressar o que foi, para mim, os dias que seguiram aquele 04/02/2012.

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Pra não dizer que não falei do mistério da adaptação

As lembranças de quando enfrentei os desafios do  exame de admissão ainda pulsam em minha memória. Os sentimentos naquela época se embaraçavam: era uma mistura de adrenalina, e frio na barriga. O medo do desconhecido, e a curiosidade de querer conquistá-lo, se confrontavam. Tudo mudou quando cheguei à Barbacena, e entre as montanhas, contemplei a fachada da Escola Preparatória de Cadetes do Ar. Ali, começou a minha jornada. A concretização do meu sonho.

Embora às vezes eu questione a veracidade das imagens e informações contidas no vídeo, no geral, É TUDO VERDADE. Ano passado estava eu, aqui, todo-todo. Corrigiria e iria além, arriscando um “os sentimentos naquela época se embaraçavam: era uma mistura de cabacice e vibração, o medo de não adaptar-me, e a curiosidade de arriscar tanta coisa”. E, para a glória geral da nação, deu tudo certo. Agora são só agradecimentos e momentos que ficam na memória. Momentos bons ou ruins.

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Pra não dizer que não falei do mistério da EPCAr

Pra você que acabou de chegar, esta é a parte 2 de uma série de posts, é só clicar aqui pra ler a Parte ONE
Galera de Campo Grande MS, sintam-se obrigados a comentar.

Começava também a saltitação, o aprendizado por meio da dor, a ordem unida, a saudade, a vida na caserna, o cansaço… E, nada mais foi do que aquilo que eu disse ali em cima. É um período muito, mas muito chato. E, apesar de tudo, muito gratificante. Perda de voz logo no primeiro dia. Canções pra treinamento físico vibrantes. Por mais curioso que pareça, tenho saudades desse período. Alguns alunos diziam isso, que iríamos olhar pra trás e sentir saudade. E é justamente por isso, por ter sido um tempo extenuante, vibrante, o primeiro contato com a vida militar, as amizades formadas. Sem falar que ainda não tínhamos instrução científica, ou seja:  matemática, física e química. Amigos, conciliar instrução militar, instrução científica e educação física não é nada fácil. Uma instrução científica PUXADA.

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Vou pular direto pro final da adaptação por que acho que já tá mais que explicado. Banho do bicharal. No último dia de EAD, acordamos cedo, colocamos a farda azul-aeronáutica , ensaiamos pela última vez a cerimônia de entrega de platinas, e colocamos o uniforme de educação física. Após alguns polichinelos, flexões, fomos correr. A corrida mais vibrante. Demos uma boa conhecida na escola, indo até o estádio e voltando para a frente do cinema. Lá, já estavam todos os pais esperando orgulhosos para ver seus filhinhos de novo. Todos cansados, acho que cantamos a Canção da Escola e depois um ordinário, e então, começou a cair água do céu. Felicidade geral, emoção. O fim. Chegamos no fim da adaptação da Escola Preparatória de Cadetes do Ar. Em poucas horas, ganharíamos as platinas, e enfim seríamos alunos.

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Apto. Dias de FAB, dias de glória – Parte 3

Muita coisa ia mudar, mal sabia eu. Continuava naquela, estudando, obra, clima tenso em casa… Nem tinha me tocado que o resultado da EPCAr ia sair, aliás, nem tava acompanhando nada. Tava ~le eu de boa no twitter quando começa uma onda de malucos citando o resultado da EPCAr.

Se você não está entendendo merda alguma veja a saga Epcariana desde o início clicando abaixo:

Parte 1
Parte 2

Nessa hora começou o Schincariol no twitter, naquele 13 de setembro “AAAAAH PASSEI PORRA” “SAAAAAAIU EPCAR” “UHUUUUUL” “CORRIDA MAIS FELIZ DO ANO”.

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