Dias de FAB, dias de glória – Parte 1

Campo Grande, 13 de setembro de 2011, 15:40.

– Alô, tio Vicente?
– É sim, fala.
– Bênção tio.
– Deus te abençoe, quem é?
– É o Fiuk.
– Faaaaaaala Fiuk (risos), e aí, beleza? Que cê manda?
– Tudo tranquilo sim, é que… Passei na EPCAr.

A importância deste diálogo é que foi nesta exata tarde que eu fiquei sabendo que tinha passado na EPCAr (ou epéca, ou ainda EPC do ar) que nada mais é que a Escola Preparatória de Cadetes do Ar, uma escolinha da Força Aérea Brasileira. Lembram-se? Eu tinha dito em um post (clique aqui pra ver a promessa) que meu ano se resumiria a estudar e não ir mais em festinhas, porque queria passar no concurso e etc. Nessa série de posts relatarei toda a minha trajetória até agora: esperando para fazer a matrícula e ir para Barbacena.

Primeiro que tudo começa ano passado, mais exatamente em dezembro de 2010. Meu primo, que já vinha estudando há 3 anos, juntamente com seu irmão mais velho, almejavam uma vaga em escolas militares desse Brasilzão. Depois de três ano de estudo, os dois passaram. O mais velho foi para a Escola Naval, o outro, mais novo, passou na Epéca. Nessa época, dezembro, estavam rolando os exames médicos, psicológicos e o teste físico. Como eles moravam em Corumbá, para ir para SP fazer esses exames eles tinham que passar pela capital Campo Grande, e ficavam aqui.

Confesso que sempre achei militarismo uma babaquice. Minha visão e conhecimento sobre militares se resumia a: “Alistamento obrigatório, soldado só se fode, morrer pela pátria? Pfff”. Mas com essas vindas do meu primo pra Campo Grande a gente conversou bastante, meu pai, meu tio, todo mundo colocava ideias, dizia para eu tentar o concurso. Teve muita importância esse diálogo, e também os vídeos que meu primo me mostrava, sobre aviação, sobre a própria escola. Enfim, o cara que nem pensava em fazer isso, o cara que queria ser só mais um, fazer vestibular, estudar, ficar com os pais; lá estava, “decidido” de que queria entrar pra FAB.

Pro meu primo deu tudo certo, entrou na Epéca em 2011, primeiro ano. E eu, entraria em 2012. Mas aí foram aparecendo os imprevistos.

Míope não entra na EPCAr. Eu usava um óculos de 2,5 graus. Isso por si só já me desmotivou, fez eu ter uma certa preferência pelo Colégio Naval, por outras escolas militares, que seja, menos EPCAr. Entrei no cursinho. Queria Colégio Naval. “Uau, Marinha do Brasil”. A matéria que eu precisava pra prestar o concurso era de primeiro grau, ensino fundamental. Só que BEM mais foda, a ponto de cobrar coisas que você nunca estudou nem vai estudar. Bem, o único curso que eu consegui achar preparava para EsPCEx, AFA, EFOMM, ou seja, só matéria de segundo grau. Na verdade, tinha o curso pra EPCAr e Colégio Naval, porém este estava 300 contos de réis, ao passo que o curso pra AFA e outros de ensino médio saía pela metade do preço. Como meu pai resolveu a questão:

– Faz esse de matéria do ensino médio mesmo.
– Mas eu preciso de matéria do fundamental, não tem nada a ver…
– Ora, quem estuda pra ensino médio, estuda pra qualquer outro…

E foi assim, levei os 5 primeiros meses nisso. Cursinho à noite, acabava 22h. Segunda, quarta e sexta, e sábado de manhã. Eu não sabia a quem dava prioridade de início, à escola, ou ao cursinho. Tecnicamente eu tinha entrado numa cilada. Na escola, estudava de tudo. No curso, era como uma revisão da matéria que via de manhã, era a mesma matéria, de ensino médio. Desse jeito eu não iria passar, não estava vendo a matéria certa.

Comprei os livros que os caras mais indicavam. Dos 4, o único que fiz com certeza foi o Iezzi, de geometria. Com o passar do tempo, não dava mais. As notas na escola não caíram, eu não deixei, fazia as tarefas e trabalhos pela tarde. Ou então dormia. Chegar em casa 23 horoas, acordar no dia seguinte 5:30, pegar ônibus…

Não era nada legal. Minha mãe também ouvia tudo, sem poder fazer nada. A grana não dava pro curso certo, oras. Os caras da minha sala no curso eram um bando de babacas. Um amontoado de filhinhos de papai, uns 60. No máximo uns 10 ali eu tinha certeza iriam passar. O resto, resto. Falavam de festa, de zuar, beber, reclamavam do horário, da duração das aulas, do professor, só iam pra comer pastel. Perdão aí galera, mas a raiva desse pessoal não deixava eu conversar com eles.

“Grana curta?” Pensará você, leitor. Pois é, além da minha escola, cursinho, da escola da minha irmã, ainda estamos, até o dia do fechamento desta edição, construindo uma casa. Construção suga mais dinheiro que filha vagabunda. Já se arrasta por uns quatro anos. Às vezes, pela tarde, depois de voltar da escola, meu pai ainda me levava pra lá, pra ajudar. O motivo de eu odiar férias é porque eu ia pra lá, todo dia. Sabe, não foi bom. Mexer com cimento, areia, pedra… Meu pai vinha com aquela: “Viu, estou mostrando pra vocês (eu e meu irmão), estudem! Estudem pra não precisar construir sua casa, pra mandar fazer. Estudem!”

Não preciso falar a raiva com que esse paradoxo me deixava. Eu estou estudando, mas também trabalhando; logo, não terei tempo pra estudar. Mas não adianta. Não adiantou.

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